Querido diário,
Estava dando uma lida nos meus diários e fiquei impressionada como minha vida muda de um dia para o outro e como tenho sempre que fazer escolhas. Novo começo... Novo fim...
Sinto que dentro de mim ainda existe aquela "menina" ingênua, cheia de sonhos; e uma mulher forte, cheia de medos. Mas o medo ajuda a me proteger. Proteger de mim mesma, proteger da minha carência absurda, proteger da minha busca eterna por razões.
Aprendi que não adianta alimentar um amor unilateral e já não tenho mais paciência para lutar por causas perdidas. Às vezes considero o mundo injusto demais, outras vezes acho que deveria sempre agradecer.
Acredito que posso fazer a minha história, que posso sofrer intensamente, mas que o verbo "esquecer" posso conjugar rapidamente.
Um dia vou conseguir ser indiferente... No momento, não consigo. Não me contento com pouco e detesto mendigar a atenção de alguém. Para mim é tudo ou nada. Não gosto de ficar em cima do muro. Você nunca vai me ver nessa posição.
Queria que fosse completamente diferente... Mas não é. E sou "mais eu", antes de tudo. Não aceito ser sombra de ninguém. E não amo por mim e pelo outro.
É... Como diria uma pessoa que conheço: "você não existe"!!!! Freud me daria um volume inteirinho da sua coleção. E Anne Frank escreveria assim em minha homenagem:
"Na cama, à noite, enquanto pensa em seus muitos pecados e em seus defeitos exagerados, fica tão confusa pela quantidade de coisas que tem que analisar que não sabe se ri ou se chora, dependendo do seu humor. Depois dorme com a sensação estranha de que quer ser diferente do que é, ou de que é diferente do que quer ser, ou talvez de se comportar diferente do que é ou do que quer ser.
Minha nossa, agora quem está confusa sou eu." :)
