segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Saúde Caótica

Passamos a madrugada de sábado para domingo na emergência infantil de um grande hospital aqui de Fortaleza com nosso filho. Nunca vi um atendimento tão deplorável! Será que um plano de saúde tão conhecido não tem compromisso com a saúde dos seus beneficiários, que pagam (e caro!) pelos serviços que eles prometem em propagandas e não cumprem? Será que eles não tem condições financeiras de contratarem profissionais mais capacitados e de deixarem "um" médico que seja de plantão na noite de sábado?

Um absurdo! Chegamos meia noite, fomos atendidos, nos colocaram na enfermaria da Emergência e às 2:00 da manhã a médica que nos atendeu trocou o plantão com outra médica (que, diga-se de passagem, nem médica parecia) que deu um diagnóstico completamente diferente do dela!!!Ficamos sem saber em quem acreditar! Às 6:00 não tinha um médico para nos dar alta porque a médica tinha ido "embora", sem contar que as enfermeiras (?) não vinham nem olhar o soro e conversavam alegremente na recepção num tom de voz que mais parecia uma "feira livre".

Meu filho suou muito e molhou todo o lençol e em nenhum momento nenhuma delas veio olhar para trocar os lençois. Quando percebi, pedi um termo de responsabilidade e o tirei de lá o mais urgente possível. E sabe o que mais? pagamos R$7,00 para utilizar o estacionamento do próprio hospital! Gente, isso não existe!!!!

Compactuo com o texto abaixo de Arnaldo Jabor:

Quero voltar a Confiar(Arnaldo Jabor)


Fui criado com princípios morais comuns: quando eu era pequeno, mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos eram autoridades dignas de respeito e consideração. Quanto mais próximos ou mais velhos, mais afeto. Inimaginável responder de forma mal educada aos mais velhos, professores ou autoridades… Confiávamos nos adultos porque todos eram pais, mães ou familiares das crianças da nossa rua, do bairro, ou da cidade…


Tínhamos medo apenas do escuro, dos sapos, dos filmes de terror… Hoje me deu uma tristeza infinita por tudo aquilo que perdemos. Por tudo o que Meus netos um dia enfrentarão. Pelo medo no olhar das crianças, dos jovens, dos velhos e dos adultos.


Direitos humanos para criminosos, deveres ilimitados para cidadãos honestos. Não levar vantagem em tudo significa ser idiota. Pagar dívidas em dia é ser tonto… Anistia para corruptos e sonegadores… O que aconteceu conosco? Professores maltratados nas salas de aula, comerciantes ameaçados por traficantes, grades em nossas janelas e portas. Que valores são esses? Automóveis que valem mais que abraços, Filhas querendo uma cirurgia como presente por passar de ano. Celulares nas mochilas de crianças.


O que vais querer em troca de um abraço? A diversão vale mais que um diploma. Uma tela gigante vale mais que uma boa conversa. Mais vale uma maquiagem que um sorvete. Mais vale parecer do que ser… Quando foi que tudo desapareceu ou se tornou ridículo? Quero arrancar as grades da minha janela para poder tocar as flores! Quero me sentar na varanda e dormir com a porta aberta nas noites de verão! Quero a honestidade como motivo de orgulho. Quero a retidão de caráter, a cara limpa e o olhar olho-no-olho.


Quero a vergonha na cara e a solidariedade. Quero a esperança, a alegria, a confiança! Quero calar a boca de quem diz: “ temos que estar ao nível de…”, ao falar de uma pessoa. Abaixo o “TER”, viva o “SER” E definitivamente bela, como cada amanhecer. E viva o retorno da verdadeira vida, simples como a chuva, limpa como o céu de primavera, leve como a brisa da manhã! Quero ter de volta o meu mundo simples e comum.


Vamos voltar a ser “gente” Onde existam amor, solidariedade e fraternidade como bases. A indignação diante da falta de ética, de moral, de respeito... Construir um mundo melhor, mais justo, mais humano, onde as pessoas respeitem as pessoas. Utopia? Quem sabe?... Precisamos tentar… Quem sabe começando a encaminhar ou transmitindo essa mensagem… Nossos filhos merecem e nossos netos certamente nos agradecerão!





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