sexta-feira, 15 de março de 2013

Culpa ou Responsabilidade?

Esses dias estive pensando muito sobre culpa ou responsabilidade... Descobri um texto muito legal que me esclareceu muitas coisas:

Setembro 09 2011
Autora: Fabiana Andrade
Psicóloga Clínica

"Sei que foi culpa minha, não lhe dei atenção estes anos todos, é natural que ela tenha se apaixonado por outra pessoa”;
 “O meu pai está sempre zangado, todos os dias, a culpa é minha pois sou uma fonte de preocupações”;
“Ele disse que precisava de outras experiências, que estava numa fase pouco disponível, isso parece-me mentira, sei que a culpa é minha, já não é a primeira vez que alguém me deixa”.

Há pelo menos duas impressões imediatas que saltam à vista nestes exemplos. Uma implícita: a presença única do EU. Repararam que tudo passa a ser sobre a própria pessoa quando ela se assume culpada de algo?

Eu, eu, eu, como se elas tivessem todo o poder de controlar tudo e todos e fosse tudo sempre sobre si, o outro praticamente não existe na relação, nada é sobre o percurso do outro, tudo vem parar sempre na noção de que aquilo que aconteceu se deve antes de mais a alguma característica ou ação da própria pessoa.
A palavra Culpa vem do Latim culpa e designa não só uma falta para com a lei, seja ela religiosa ou civil, mas também a consciência dessa falta por quem a cometeu. Assim, o conceito de culpa serve há anos para punirmos quem transgride leis e normas, serve para a organização da sociedade. Está presente no âmbito jurídico e penal, no âmbito social e surge sempre que alguém se desvia da norma.
Então o que fazer se identificarmos em nós mesmos esta tendência?

Em primeiro lugar entender que culpa é diferente de responsabilidade. A culpa pressupõe um vilão e uma vítima, a responsabilidade é partilhada entre dois iguais. Assim, nos relacionamentos, há sempre responsabilidades dos dois lados, observe qual é a sua e lembre-se de entender qual é do outro.

Lembre-se que nem tudo é sobre si. Você não tem poder sobre a decisão dos outros, elas devem-se ao processo do outro e não ao seu, não tem poder de impedir catástrofes, doenças e acidentes, tem apenas poder de decidir sobre a sua própria vida e buscar caminhos para a sua felicidade. Com certeza eles não passam por continuar a sentir-se culpado de tudo!

Responsabilidade é força, é liberdade para modificar o que não está bem, com o foco no futuro. É assumir e aprender com as consequências dos nossos erros e olhar para eles como oportunidades de aprendizagem. É uma postura adulta e saudável perante a vida.

Quando me culpo, imediatamente vem a tendência de achar que não preciso ter "pena" de mim mesma, até porque pena é um sentimento muito negativo e não combina comigo. O que quero dizer com culpa é responsabilidade. Responsabilidade em assumir seus erros, em não colocar sempre a "culpa" no outro, como se fosse vocẽ sempre a vítima... É saber os motivos que te levaram a tal atitude e não ter vergonha deles, é buscar sempre um aprendizado nas coisas que acontecem, boas ou ruins.

É isso realmente que sempre quero dizer com "culpa", nunca um sentimento de menosprezo. Ahhh, está bem, gosto mesmo de palco e gosto quando as pessoas se preocupam. Mas sou tão forte que minutos seguintes estou eu, ativa, não perdendo meu tempo com lamúrias sobre a vida.

E depois que comecei a clinicar, percebi que meus "problemas" são mínimos diante desse mundão que se apresenta a mim agora. Eu tenho responsabilidades, mas tenho escolhas a fazer, e se estou onde estou é porque ESCOLHI assim. E se duvidam da minha capacidade de escolha, é porque não me conhecem. Sempre faço tudo de maneira tempestiva, mas sempre sei bem o que estou fazendo. Minha mente funciona a mil e essa é uma das minhas maiores qualidades: "Quando você vai, eu já estou voltando há muito tempo." :)






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