O amor dos homens sensatos – acaba.
Era compreensível o afastamento que ele mantinha dela. Os dois bem sabiam as diferenças que haviam entre eles. E, vez em quando, um buscava como defesa, explicar cada ponto que os separava. Ainda que compreensível, não havia motivos para tudo aquilo. Talvez fosse para aumentar a dor, talvez fosse mesmo um escudo, ou talvez, não era amor que eles sentiam.
Era compreensível o afastamento que ele mantinha dela. Os dois bem sabiam as diferenças que haviam entre eles. E, vez em quando, um buscava como defesa, explicar cada ponto que os separava. Ainda que compreensível, não havia motivos para tudo aquilo. Talvez fosse para aumentar a dor, talvez fosse mesmo um escudo, ou talvez, não era amor que eles sentiam.
A realidade tem o dom de provar quão ela é diferente dos contos de fadas e das minhas próprias palavras. Ela chega e bate em minha cara: “O que você escreveu? O que você escreveu, não é assim!”. – Ainda que sou só uma dominadora de palavras. Pena, não tenho de mim. Pena, tenho dela: que era uma sonhadora. Que amava sem medidas, se entregava de todos os jeitos, acho que se tornava até insuportável por ser tão aberta. Enquanto ele: realista, saudável, intocável... Parecia não sonhar. Mas sonhava, todos sonham.
Não era uma história de amor sem emoção. Despertava sorrisos sinceros e involuntários como qualquer outra história. Só não era, exatamente, de amor. Era um caso impossível – “impossível”, tenho certeza de que ele gostaria desta palavra.
“Ama-me”, ela pedia com seus olhos negros. “Vou lhe amar”, ele devolvia com seus olhos cor de amor. O bastante. Era o bastante, se eles não se preocupassem tanto.
Talvez, o que mais os atraiu quando se conheceram, era que os dois tinham tamanha preocupação, precaução e loucura. Razão e emoção, como uma guerra, os habitava. Mas ela se apaixonou. Este foi o erro. Ela se apaixonou e agiu como apaixonada. Ele, talvez, tenha se apaixonado, mas conteve-se.
Devia ser certo: eu vou te amar, quando você começar a me amar, e vou te amar da mesma maneira. Reciprocidade devia ser certo. Assim, tudo seria certo. Mas não é.
Tem o errado, como há todo o resto.
E nada nos dois parecia ser recíproco. Às vezes, acho que essa coisa de “faltar”, deve atrair, deve ser o que realmente nos faz sentir aquele calor que sobe dos pés a cabeça: a paixão. Mas eles chamavam tudo de amor, eles agiam com amor, e depois – fugiam.
Voltando: Era compreensível o afastamento que ele mantinha dela. Mas foi este mesmo que os separou. O que era para ser uma história linda, daquelas tristes que tinham final feliz – não foi. Acabou, sem muitas explicações, sem ponto final. Virou reticências, que – iniciou outro parágrafo.
Embora eu ainda creia que, o amor, ainda os acompanhe. Porque fui eu, eu que descrevi cada gesto de amor deles, em palavras. Fui eu, que tornei real. E memorável, assim, como é memorável um diário.
Só que, de fato, eles não se verão mais. Aqueles lençóis não terão mais o perfume dela, porque ela nunca mais voltará a passar a noite naquela cama. Aqueles hematomas nunca mais aparecerão na pele dela, porque ele nunca mais apertará com força sua pele. Mudarão tudo, até que não haja vestígios, até que não exista mais contato.
E eu não enxergo felicidade alguma nisso: acabou, simples, acabou. E os dois fingem que nada existiu. Então, os amigos em ato de consolo dizem: “Lembre-se apenas dos momentos felizes...”. E, a história deles, foi uma história triste. Porque o amor, só é bem grande, se for triste.
Ela chorará, sem lágrimas para esconder, durante meses – até toda aquela saudade passar. E ele fará o mesmo. – Tenho a certeza de que, um – assim como o outro, terá vontade de se aproximar, falar, pedir se está tudo bem, pedir para voltar... Mas só ficará na vontade – não irá. É incrível o orgulho dos apaixonados. Orgulho bobo, para não sofrer – que, só faz sofrer.
Aquela foi mais uma história de amor que se acabou pelo raciocínio humano que, de tão inteligente, torna-se ignorante. Desde quando a inteligência nos faz sofrer? Desde que o primeiro insensível coube-se a escrever sobre razão, orgulho, sensatez – quando, o homem, o ser-humano – é feito de sentimentos.
A dor veio no primeiro julgamento – que, tenho a certeza: calou-se, depois de um tempo, por ser julgado também.
E aquela foi mais uma história de amor, que não foi de amor, terminada pela fúria dos homens.
Compreensível era a distância que ele mantinha dela – por todas os ensinamentos racionais inumanos. Incompreensível, foi a saudade atordoante que ele sentira, depois que conquistou o afastamento dela.
Palavras perdidas, desnecessárias. Joguei-as fora. Perdi meu tempo. Sinto-me traída.
É assim que estou depois de meses escrevendo sobre um amor que não foi.
Mas deixo uma dica para minha próxima história de amor: trate seu amor como gostaria que ele o tratasse, ame sem medo, sinta – porque você é feito de sentimentos. E faça-me escrever sobre a beleza disso tudo. Faça-me escrever feito louca. Só me faça escrever. Só isso.

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